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[PT]Informes do Grupo de Trabalho Nipo-Canadense: Chamada por histórias de sobreviventes de Nakayama

Updated: Jun 9

1°. de Outubro de 2020


Desde 2014, o Grupo de Trabalho Nipo-Canadense (JCWG) tem trabalhado para buscar justiça para os diversos sobreviventes de abusos cometidos por Gordon Goichi Nakayama. Enquanto a Igreja Anglicana realizou um pedido oficial de desculpas em 2015, sediado na Escola de Língua Japonesa de Vancouver (Vancouver Japanese Language School), e o abuso de Nakayama se tornou mais amplamente conhecido, o JCWG juntou-se recentemente à Associação Nacional de Nipo-Canadenses (NAJC) em busca de restituição pelos abusos sexuais cometidos pelo clérigo Nakayama e as décadas de omissão por parte da Igreja Anglicana.


Em um workshop realizado pelo JCWG em 2017, o Dr. Satsuki Ina relatou um caso de abuso generalizado por um ministro na Chinatown da cidade de São Francisco. Quando relatos escritos de alguns sobreviventes tornaram-se públicos, muitos outros sobreviventes de abusos apareceram com suas histórias. E, com a popularização do recente movimento ME TOO, os relatos de sobreviventes de abusos cometidos por aqueles que estão no poder resultaram em muitos abusadores sendo responsabilizados por suas ações. Estes relatos têm sido uma voz poderosa para muitos exigirem justiça pelo o que há muito tempo foi omitido ou negado.


Nós reconhecemos o quão pode ser difícil para os sobreviventes se apresentarem e contar suas histórias e, por isso, continuaremos a lutar em seu nome. No entanto, também sabemos que relatos e testemunhos pessoais expressam uma voz poderosa. Quanto mais a comunidade e o público ficam cientes do abuso sofrido pelos sobreviventes, mais podemos tornar o abuso uma questão não de vergonha - mas de busca pela justiça e prestação de contas.


Sobreviver a abusos sexuais do clérigo não é apenas uma questão de justiça, mas também de bem-estar pessoal. Alguns sobreviventes expressaram alívio ao compartilhar suas histórias porque foram capazes de descarregar sentimentos injustificados de vergonha ou culpa e, ao mesmo tempo, ganharam forças por saber que não estão sozinhos.


O JCWG está pedindo aos sobreviventes de abuso cometidos por Nakayama e/ou seus familiares que escrevam e enviem relatos próprios sobre o abuso. Os relatos, naturalmente, poderão ser ANÔNIMOS, conforme desejado pelo autor. Os relatos também podem ser gerais ou em detalhes, mostrando como o abuso afetou a vida de alguém. Membros da família ou amigos podem ajudar gravando ou escrevendo o relato do sobrevivente - ou podem enviar seu próprio relato de experiência como família de um sobrevivente.


Os testemunhos estarão sob promessa de anonimato, respeitosamente. Os relatos escritos ou gravados (que o Comitê poderia transcrever) serão recebidos com maior sigilo e confidencialidade. Informaremos os redatores se e como esses relatos serão compartilhados ou publicados - possivelmente em um artigo do Boletim do JCCA. Por favor, encaminhe sua história para o JCWG pelo email: jcworkinggroup@gmail.com.

Conforme haja pedido por parte de sobreviventes ou apoiadores, será fornecido gratuitamente o serviço de apoio e aconselhamento - sem revelar a identidade de qualquer vítima à Igreja.


Grupo de Trabalho Nipo-Canadense

Judy Hanazawa, Constance Kadota, Emiko Lashin, Wendy Matsubuchi-Bremner, Larry Okada, Naomi Shikaze e Peter Wallace


Respostas


Já recebemos diversos testemunhos em resposta ao artigo publicado no Boletim de Setembro. Agradecemos profundamente a essas histórias e agradecemos aos membros da comunidade por seus comentários. Estamos com vocês. *


Testemunho 2. Anônimo. 1946. Meninos revelam suas experiências de abuso uns aos outros.


Perdoe-me por tomar um certo tempo quanto a isso, porque já se passaram muitos anos desde que essa história aconteceu. É de memória. Aquele ano foi um dos mais difíceis que o sul de Alberta experimentou em termos de clima. 1946. Era junho e eu estava voltando da escola e ainda estava a quatrocentos metros de casa quando o vizinho do meu vizinho veio correndo de sua casa e disse: "Ei, filho, vá andando porque aquilo está chegando. Ele diz apontando [para uma tempestade que se aproxima]: "Você tem que chegar em casa antes que isso nos alcance. Comece a correr! "E foi o que fiz. Voltei bem a tempo. Minha mãe, minha irmã e eu nos cobrimos com cobertores no chão. Elas gritavam. Estávamos em um barraco sob as árvores e havia estrondos por toda parte. Aqui fico pensando: “O que deu de errado com nossas vidas... tudo foi levado [durante o internamento] e agora a mãe e a irmã estão chorando no chão em um barraco em Alberta. Tenho que fazer algo a respeito”. Choveu três dias e inundou muitas fazendas. Naquele inverno congelou e congelou lagoas. Era na fazenda de um vizinho que morava um dos meninos. E na fazenda [redigido] era onde (A) e sua família moravam. Nós tivemos uma festa de patinação e na festa de patinação nós acendemos uma fogueira e estávamos conversando e eu disse: "Ei, vocês são de famílias cristãs. Quem é Deus?". E (B) era o mais velho dos meninos e disse:" Deus todo-poderoso! Você tem conversado com Nakayama. Eu disse que Nakayama nos visitou. Foi quando ele (B) me contou, nos contou, sobre ser molestado por Nakayama. E então (A) disse "Oh não... (B) ele fez isso com você também?" Aí (C), um amigo que estava conosco, continuou e disse "Ohhh ..." e eu sabia que ele também foi molestado. E tudo isso aconteceu quando perguntei "Quem é Deus?". E todos eles três foram molestados e não sabiam. Então ambos (B) e (A) disseram: "Olhe. Não importa o que aconteça, não deixe aquele homem chegar perto de você. E nunca conte a ninguém sobre o que dissemos hoje". E eu nunca fiz isso até que o (JCWG) iniciou este processo com os Anglicanos.


Em 2010 meu amigo (D), que também conhecia (A), veio ao [Canadá] para visitar (A) e depois voltou. A partir daí, telefonei várias vezes para (D), querendo saber mais de (D) sobre Nakayama. Naquela época (2010) Nakayama havia morrido, (B) havia morrido e (A) havia desaparecido. Bem, no meu telefonema com (D), ele disse: "É uma história tão difícil de contar... tantas coisas más aconteceram... e jurei não falar sobre isso. Sinto muito, mas não posso te dizer. Andei perturbado com isso."


(D) era um membro do clero e nunca mais voltou ao Canadá. E adivinha? Ele morreu no verão passado. Sua… sua filha cuidou dele e ele morreu com [85+] anos. Uma coisa que ele me disse foi "[narrador], acredito que Nakayama foi para o Peru... há japoneses no Peru e ele também foi para São Paulo no Brasil e fez coisas terríveis...". (D) de alguma forma conheceu essas pessoas durante seu ministério. Essa foi a última conversa que tive com (D) e nunca mais consegui contactá-lo.

Acontece que quando (B), o vizinho, morreu, eu fui ao funeral do (B) e conheci toda a família dele e a primeira pessoa que me disse "oi" foi o irmão de (A), (C ), que eu disse a você que estava naquela festa de patinação também. E a gente conversou e eu disse "(C), aonde está (A)?" e ele diz: "Isso é que é triste, não temos visto ele. Ponto final. Não sabemos onde ele está morando". Então, as lágrimas brotaram de seus olhos e eu e (C) paramos de falar sobre isso. Nunca mais vi (C). De qualquer forma, esse é o meu envolvimento com a história de Nakayama. E desde que (D) morreu, fechei meus arquivos sobre ele.

  • Anônimo para proteger as identidades dos indivíduos mencionados.


Testemunho 6. Stan Shigehiro. 1947. Testemunho pessoal.


Esta é a minha história.


A família foi internada em Alberta e acabou em Raymond em 1942. Morávamos em uma cabana de 2 quartos na fazenda Paxman, trabalhando nas plantações de beterraba sacarina.


Por volta de 1945, meus pais se converteram ao Cristianismo Anglicano - por meio de conversas convincentes com um vizinho. Eles eram Budistas antes.


O reverendo Nakayama visitou nossa casa em 1947. Suas visitas sempre terminavam com jantar e pernoite. Eu tinha então 10 anos e era o mais velho de dois.


Tínhamos apenas um quarto com 2 camas de casal. Uma cama para meus pais e uma cama para meu irmão e eu. Quando Nakayama passou a noite, ele dormiu em uma das camas comigo, enquanto meu irmão se juntou a meus pais na outra cama.


Em algum momento durante a noite, ele me apalpava e pegava na minha mão e a colocava em seu pênis, me obrigando a acariciá-lo. Após a segunda visita, que pôde ter sido alguns meses depois, e isso aconteceu novamente, decidi dormir ao ar livre em uma barraca em sua terceira visita. Ele me seguiu e entrou e o mesmo aconteceu.


Eu iria visitar meu amigo na rua de baixo durante o dia e se Nakayama estivesse de visita, ele iria querer vir comigo. No caminho, ele me beijava na boca e forçava a minha mão dentro de sua calça.


Seguida esta terceira vez, tentei estar ausente sempre que ele nos visitasse e eu o evitava tanto quanto pude.


SERVIÇO DE ACONSELHAMENTO JÁ ESTÁ DISPONÍVEL!


Você é sobrevivente ou afetado por conhecer uma das vítimas de abuso sexual do clérigo Nakayama, possivelmente como membro de família ou amigo? O JCWG está pronto para apoiá-lo. Convidamos você a compartilhar sua história conosco. Se você concordar em compartilhar a sua história publicamente, poderá incentivar outros a fazerem o mesmo.


Também entraremos em contato com quem desejar falar com um conselheiro. A Diocese de Calgary garante aconselhamento gratuito para aqueles que foram prejudicados pelo Sr. Nakayama. Embora o seu nome não será compartilhado com a Diocese, precisaremos do seu nome, o nome do conselheiro escolhido e suas informações de contato. Para obter mais informações, entre em contato conosco em jcworkinggroup@gmail.com.


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